Quanto mais assistimos a propagandas eleitorais e veiculações inseridas na televisão, percebemos o quão é importante o fato de o eleitor não saber ao certo quem são os “candidatos” ali apresentados. Dizer o que o povo quer ouvir e convencer a massa de que enfim nascera um grande líder, um messias capaz de suprir as necessidades da sociedade é a ordem do dia, já cumprir ou agir da forma adequada parece ficar em segundo plano o que nos evidência um enorme dilema moral: é correto ou ético vender uma imagem falsa de alguém que se responsabilizará pelo futuro de um Estado ou de milhões de pessoas durante quatro anos?
Desde que se instituiu a política como forma de manifestação popular e democrática somos obrigados a conviver com a manipulação da informação ou “arte” do convencimento” político. Antigamente eram os mais fortes e hábeis os responsáveis por guiar as tribos e protegê-las, já nos dias atuais e com um panorama totalmente diferente, o modo de comunicação e a linguagem despontam como meio eficaz e rápido de atingir o maior numero de eleitores, afinal comunicar-se bem, expressar bem as idéias “ganha votos”, sobretudo da população menos alfabetizada que vê no “dotôr” de gravata a garantia de uma representatividade mais segura garantindo assim o sucesso e a chegada ao poder deixando pra trás a finalidade da disputa política que é a capacidade de governar e administrar visando um beneficio maior e um bem comum. Competência há muito deixou de ser requisito dando lugar a imagens intocadas e biografias incompletas que ocultam sutilmente partes indesejadas ou não bem vistas pela opinião publica, ou alguém entregaria R$ 1,860 trilhão de orçamento anual da União e o destino de 190 milhões de pessoas a uma pessoa que faliu uma loja de importados de que era proprietária no passado escondido prontamente.
Despontam então, os marketeiros, pessoas extremamente capazes com a única missão de descobrir o ponto forte do “cliente” e onde atacar no adversário. Preocupando-se com um modo de conquistar o coração do eleitor, pesquisas são feitas exaustivamente, as tendências encontradas e brilhantemente usadas com foco na satisfação momentânea, conseguido esse objetivo é hora de descobrir os pontos fracos do adversário, valendo assim ataques religiosos, bolinhas de papel fragilizando e tentando a aclamação, acolhimento, discussões focadas em um segmento especifico do eleitorado e de uma mídia apoiada em seus interesses econômicos provando assim, que a própria televisão já não deseja mais atuar com simples concessão pública e de modo neutro apenas informando a sociedade e sim defender seus lucros imediatos e vantagens futuras escolhendo assim a quem beneficiar e o melhor modo de fazê-lo.
Os cidadãos responsáveis pela manutenção da moralidade parecem não aceitar envolver-se nesse jogo de interesses maiores dando a entender que decisões tomadas na esfera política não irão afetar suas vidas. É comum ver personalidades se abstendo da opinião em nome da neutralidade, sua falta de manifestação deixa campo aberto para especulações e falsas declarações sem contestações.
A participação efetiva de uma “elite intelectual” capaz de criticar e exigir uma transparência maior e que obtenha o poder de informação e convencimento de massa é uma solução adequada. Essa cobrança ou manifestação viria através de sabatinas públicas, críticas a condução das campanhas e pedido de foco não em desmoralização, mas em afirmação de idéias e projetos que é o que de fato interessa aqueles que entregam seus votos e condução da vida publica e não querem só a venda de esperança, mas resultados concretos que nos elevem a país verdadeiramente democrático e não a discursos vazios de uma política inoperante.